A premissa era das melhores. Pegue um tema tradicional: a velha história do primeiro encontro entre o namorado e a família da sua parceira. Junte dois atores de peso: James Franco, para o papel do namorado, e Bryan Cranston – o eterno e poderoso Walter White, de Breaking Bad, para o papel do pai. Situe a história no período natalino. Convide celebridades para participações de luxo como elas mesmas: o celebrado chef de cozinha molecular e estrela de reality-show Richard Blais, Kaley Cuoco (ainda que só emprestando a voz a um sistema operacional), além de Gene Simmons e Paul Stanley, do Kiss. A premissa era das melhores, mas o resultado…

Ned Flemming (Cranston) é um pai superprotetor e carinhoso que toma o susto da vida quando conhece o namorado da filha, um bilionário do Vale do Silício, desbocado e sem nenhum filtro social, Laird Mayhew (Franco). O desespero do velho pai aumenta quando ele percebe que a criatura estranha pedirá sua filha em casamento. A primeira falha na história já se mostra de cara: com dez minutos de filme, você já sabe exatamente como ele terminará. E o final é exatamente esse que você, leitor, está imaginando.

Uma frase clássica em cinema diz que já se fizeram filmes ruins de bons roteiros, mas nenhum filme bom foi feito de um roteiro ruim. O roteiro deste Tinha Que Ser Ele? é a principal falha da produção: um aglomerado de clichês, piadas que não fazem rir (acho que para não soar tão ranzinza posso citar o fato de não haver nenhuma piada ofensiva como ponto positivo), personagens com os quais você não consegue criar laços de empatia e um ritmo muito, muito lento. Se, como dizem, “comédia é a tragédia mais tempo”, aqui, o tempo foi trágico (com trocadilhos). A direção pesada acentuou as falhas do texto, aliás.

No campo das atuações, há que se notar o esforço da dupla de protagonistas em segurar a onda. Os poucos momentos de brilho acontecem da interação Franco & Cranston. Mas, por melhores que eles sejam, não há como fazer milagre de uma matéria-prima tão fraca. Bryan Cranston, pelo menos, se mantém consistente por todo o percurso, enquanto James Franco oscila entre os já falados bons momentos e outros puramente constrangedores. O resto do elenco passa quase despercebido, exceção feita ao adolescente Griffin Gluck que, no papel do filho mais novo da família Flemming, consegue deixar no espectador a vontade de vê-lo em ação em um projeto melhor.

A sensação final depois de 1h51min de duração é que o título do filme poderia mudar para Tinha que fazer isso? O que diz bastante sobre um filme cujas duas piadas mais duradouras envolvem um alce num globo de vidro cheio de urina e vasos sanitários. Uma pena. Porque a premissa…

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