2º – Corpo Fechado (Unbreakable), de 2000, dirigido por M. Night Shyamalan

Um dos elementos que mais me atrai em histórias de heróis sempre são seus poderes, aquilo que os diferenciam dos demais. Sejam eles armaduras super-tecnológicas, teleporte, uma força descomunal, a capacidade de se regenerar ou saber o que pensam as pessoas. Apesar disso, quando fui convidado por M. Night Shyamalan para seu universo onde vivia David Dunn, fui surpreendido com um conto de um homem comum. Demasiado comum. Mas que se descobria especial. Após passar boa parte da obra acompanhando a narrativa de um segurança de parque sem grandes conflitos pessoais, junto com ele eu era levado pela sua auto-descoberta como herói. Super-herói. Tal qual toda e qualquer fábula deste tipo há, porém, a revelação do vilão.  Protagonista e antagonista. O inquebrável e o frágil. Dunn e Glass, seu antônimo literal encarnado. A beleza sutil e delicada desta obra reside no fato de que estamos no contato mais íntimo da humanidade de um Super-Herói. A jornada aqui não é testemunhar a qualidade sobre-humana do nosso personagem; mas conhecer o que faz dele humano. Demasiado humano. Como qualquer um de nós.
Por Rene Michel Vettori

1º – Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), de 2008, dirigido por Christopher Nolan

O número 1 da nossa lista não é um filme de super-heróis. É um tratado, uma tese, um tour-de-force. É uma das realizações mais viscerais e espantosas do cinema contemporâneo. Pegue um diretor no domínio pleno do seu ofício. Junte um roteiro que deveria ser publicado e vendido como literatura. Ponha na mistura o mais complexo dos heróis, aquele que não tem super-poderes e que, diversas vezes, questiona os limites da ética. Faça um ser humano exemplar, justo e honesto se corromper totalmente, destruído pelo horror do mundo. Por fim, complete a mistura com o vilão mais apavorante que o Cinema já viu, para quem a Psicologia, a Sociologia, a Medicina e a Religião não oferecem bases para o nosso entendimento. Asse tudo isso numa forma de imagens estonteantes e reze para dar certo. Você acabou de fazer Batman: O Cavaleiro das Trevas. Christopher Nolan produziu uma obra-prima e elevou os filmes baseados em quadrinhos a um patamar que nenhum outro, antes ou depois dele, conseguiu alcançar. “Ou você morre um herói ou vive o suficiente para se ver transformado em vilão”, “A loucura é como a gravidade. Só precisa de um empurrão”, “A única maneira sensata de viver neste mundo é não ter regras”, são frases que fariam um Freud, um Baudrillard, um Guy Debord se arrepiarem com a precisão em que definem a sociedade contemporânea. Mas o maior legado dessa produção é, sem dúvida nenhuma, o Coringa de Heath Ledger. Agente do caos, ele personificou o Mal que não tem nome, que não tem explicação, nem origem. E nós, espectadores, fomos agraciados com uma das maiores atuações que a Sétima Arte já viu. Nove anos e trinta e dois prêmios póstumos de melhor ator coadjuvante (incluindo o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta) depois, só nos resta aplaudir de pé e gritar: “Bravo! Bravo! Why so serious, Mr. Ledger?”
Por Marco Medeiros

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