10º  – Minority Report – A Nova Lei (Minority Report), de 2002

É quase um milagre que a união de dois artistas com visões tão diferentes sobre ficção-científica – Spielberg e Philip K. Dick – resultou em uma obra de arte tão extraordinária. Há espaço tanto para a auto-descoberta humanista do primeiro quanto para o caos pós-humano do segundo. Spielberg destila deliciosas referências (Kubrick, Hitchcock, Blade Runner) em meio a um dos melhores trabalhos de elenco da sua filmografia (destaque para Samantha Morton em atuação visceral). Além disso, diversas sequências estão entre as mais criativas da carreira do diretor, em especial o melhor uso de merchandising já feito. Foi o primeiro filme de Spielberg depois do 11 de setembro e, embora ele fosse lidar com essa temática mais diretamente em GUERRA DOS MUNDOS, as questões da vigilância constante e limites do controle do Estado se fazem bastante presentes.
Por Anderson Gomes


9º – Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and The Last Crusade), de 1989

Aos 12 anos, eu estava naquela idade exata em que já se tem consciência do que se é – nesse caso, um fã de Harrison Ford, Indiana Jones e filmes que falam sobre coisas impossíveis pra uma pessoa normal fazer – mas não se é tão velho que aquele cinismo babaca já venha convidá-lo à adolescência. Esse foi o “O” filme do ano, “O” filme em que eu exerci todos os exageros que um fã pode ter: recortei todas as reportagens publicadas sobre a sua produção, comprei revistas, livro com a romantização do roteiro, arranjei o pôster dos cinemas, desenhei em todos os meus cadernos aquele camarada usando um fedora, até que descobri que meu avô tivera um chapéu daqueles. E minha avó o presenteou a mim. Há ainda alguma dúvida do quanto esse filme foi e é importante pra minha vida? Nele vemos um garoto pouco mais velho do que eu era, saltando sobre vagões de trem, encontrando seu chicote e sua missão. Nele Indiana reata o amor por seu pai, James Bond (quem mais poderia ser?!), pega uma bond girl, zoa com a cara do Führer, voa no Zeppelin, encontra um cavaleiro templário e bebe do sangue de Cristo. E isso tudo sem jamais perder o chapéu. O filme resume tudo o que há de bom em filmes de ação e aventura, tudo o que há de bom na franquia Indiana Jones, e tudo o que há de bom na cinematografia de Spielberg. Com cavalgada em direção ao poente antes da subida dos créditos e tudo o que se tem direito. Ao som de “Pa-para-paaaa, Pa-paraaaaaaa… Pa-para-paaaa, Pa-para, Pa-pa!”… Você sabe do que eu estou falando.
Por Vlamir Marques

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