8º – A Cor Púrpura (The Color Purple), de 1985

Em 1982, Alice Walker consagra sua carreira escrevendo uma das obras mais contemplativas sobre a história negra americana, apesar de enquadrar-se no gênero de ficção literária. Alguns anos depois, Spielberg brilhantemente adapta esse clássico respeitando a escrita de Walker até onde o audiovisual permite ir. Dentro da narrativa do longa acompanhamos a vida de Celie (Whoopi Goldberg), uma menina negra vivendo no sul dos EUA durante a década de 30. Como é de se imaginar, as questões raciais são postas à superfície e se unem, ainda, com as de gênero. Ser mulher. Ademais, ser negra. Ser duas “coisas” –  e isso a história deixa bem claro, a coisificação – que destroçavam vidas. No entanto, Celie encontra na voz de outras mulheres, entre elas Shrug (Margaret Avery), o acalanto necessário para perseverar e recosturar-se. O filme, assim como um livro, mostra-se uma colcha de retalhos feita, destruída e refeita.
Por Larissa Moreno

7º – Munique (Munich), de 2005

 

Muitos são os filmes de Steven Spielberg com uma pegada divertida ou fantástica. Sem contar outros tantos com um quê de piegas. Há, ainda, aqueles que trazem uma narrativa tão mastigada que parecem desafiar a inteligência do espectador. No entanto, há uma obra, dentre todas, que eu diria ser a mais séria, taciturna e direta. Munique é um filme que nos coloca no centro do conflito mais antigo e eterno da Humanidade: a bíblica briga de irmãos – os semitas palestinos e judeus em verdadeira guerra infinita. Começando no contexto das Olimpíadas de Munique, em 1972, quando um grupo palestino atacou diversos atletas de Israel, fazendo vítimas, o governo israelense inicia uma caçada aos seus algozes. Um filme que fala sobre um dos temas mais delicados da História Humana, dirigido por um judeu e com o histórico descrito no primeiro parágrafo teria tudo para ser algo ideológico e proporcionador de ódio. Mas Spielberg foi sensível o suficiente ao tratar as relações destrutivas humanas sem preconceitos ou julgamentos, indo direto na natureza caótica que torna todo e qualquer homem um igual.
Por Rene Michel Vettori

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