6º – Aniquiliação (Anihilation), dirigido Alex Garland, disponibilizado pela Netflix em 12 de março.

Confesso ter uma enorme dificuldade em descrever a enorme gama de sentimentos e sensações que Aniquilação inspirou dentro de mim. Não há uma nesga de equívoco técnico em absolutamente nada do que é apresentado. Natalie Portman, a protagonista, está brilhante como sempre, assim como o resto do elenco. O desenho de produção é impecável em um nível que poucas vezes vi. A trilha sonora é, em especial nas cenas finais, perturbadora e perturbadoramente perfeita a toda a ação que se desenrola na tela. Mesmo com todas essas qualificações, Aniquilação pertence a esta lista porque é estranho, diferente e incomoda com sua analogia reflexa da condição humana perfeitamente traduzida pela direção de Alex Garland, que já havia nos agraciado com o ótimo Ex Machina, e não pertence à outras listas pelo mesmo motivo. A única coisa a se lamentar neste filme foi a decisão comercial e estúpida de privar o espectador de assistir ao filme em todo o seu esplendor em uma tela de cinema.
Por Gustavo David


5º – Apóstolo (Apostle), dirigido por Gareth Evans, lançado em 12 de outubro.

Num tempo em que a própria vida real nos agride a todo instante e os noticiários tomam contornos de pesadelos, fica difícil para que os criadores de filmes de terror choquem o espectador. A banalização da violência se tornou tão universalmente aceita que há de se perguntar que mais pode ser feito para causar espanto. Apóstolo é fruto desta época e triunfa ao não tentar criar uma nova maneira de assustar o público. Em vez disso explora, sem uma gota de piedade os nossos instintos mais primitivos: o de auto-preservação, o do zelo por aqueles que amamos, o da repulsa pela infinita capacidade do ser humano em ser mau, o da constatação da nossa frágil condição de seres humanos. Lançando mão de criativos movimentos de câmera e de uma trilha sonora quase irritante de tão assustadora, o filme, sem se utilizar de artifícios baratos e truques apelativos ou vulgares, nos imerge em duas horas de angústia e sufocamento de uma maneira tão avassaladora que eu tive que interrompê-lo por pelo menos três vezes e dar-me uma pausa para respirar e beber um pouco d’água. Destaque para a direção e roteiro primorosos de Gareth Evans, que narra a história como um conto que Lovecraft nunca escreveu, mas deveria, mesclando o sobrenatural com o bastante natural e mundano. Como disse Gustavo David na crítica linkada acima, a película nasce como clássico cult. Só não assista depois do jantar.
Por Vlamir Marques

Sugestões para você: