10º – Velvet Buzzsaw, dirigido por Dan Gilroy

Fui ver Velvet Buzzsaw sem quase expectativa alguma. Dirigido por um cara que havia roteirizado coisas tão díspares quanto os clássicos-merdas “Freejack” e “Uma Loira em Apuros”, além dos excelentes “Kong” e “O Abutre” (que ele também dirigiu), eu realmente não sabia o que esperar. Qual não foi minha surpresa ao encontrar uma alegoria que beira a perfeição para o nojo mercadológico que é o que se chama de arte hoje em dia, com artistas sendo medidos somente oela sua viabilidade enquanto produto, com um absoluto descaso de que a Arte, a boa Arte, não é feita para mim ou para você, é tão somente a expressão pessoal do artista. Tudo aqui começa de forma real, nesse mesmo universo em que eu e você vivemos, mas gradualmente o filme, que se mostrava uma tragicomédia, vai assumindo tons de thriller e terror fantasioso, levando-nos cada vez mais pra dentro de um turbilhão surrealista de assassinatos. As perguntas levantadas pelo longa são de uma pertinência que dói na carne, principalmente daqueles entre nós que entendem que a vida não existe sem arte.
Por Gustavo David


9º – Era uma Vez… em Hollywood (Once Upon a Time in Hollywood), dirigido por Quentin Tarantino

Eu prezo amor e honestidade. Simplesmente me encanta quando um diretor, por meio de seus diálogos, cenas e situações, me ensina algo a respeito de si próprio. Tarantino é um dos diretores mais honestos e amorosos que o cinema tem a oferecer hoje e Era Uma Vez em… Hollywood é uma prova disso. O diretor/roteirista expressa, com seus cativantes personagens e seus momentos memoráveis, todo o seu amor pelo Cinema e, principalmente, pelo fazer Cinema. Não faltam momentos escatológicos com a violência extrema e a refinada comédia características dele, mas o que me encanta nos filmes de Tarantino são os momentos de personagem e o que eles trazem. Esse filme, além de uma ode ao Cinema e todo o poder que isso traz consigo, é uma afirmação de amizade, lealdade e companheirismo. Para mim, isso vale muito. O que o diretor trouxe em seu nono filme foi um atestado de respeito imenso ao trabalho de pessoas que já fizeram Cinema. Tarantino não é momentâneo, longe disso, ele é feito de cenas, diálogos e momentos que desafiam o tempo e podem alcançar qualquer um. Tarantino é para sempre!
Por Gabriel Eskenazi

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