4º – Bacurau, dirigido por Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Bacurau vem como resposta a um senso comum que diz que o brasileiro é indiferente ao caos no próprio país ou que, ainda, contribui mesmo é para ele alastrar. Um soco na cara de quem diz essas asneiras. De que brasileiro você tá falando? Talvez essa seja a pintura do sul ou sudeste. Mas pise no nordeste e sinta a energia de um povo que tem consciência de classe a seu próprio modo pra dar e vender, pra compensar as terras curitibanas, por exemplo. E de que precisa ser livrado do estereótipo de gado, fruto de uma imagem coronelista. A essa altura não acredito que Bacurau tenha continuado místico a ponto de ter de me preocupar com palavras aqui ao descrevê-lo, temendo estragar a experiência de assisti-lo. De maneira breve, é possível dizer que o filme passeia por conceitos complexos como colorismo, inclui debates acerca da diversidade sexual e de gênero e entrega tudo isso dentro de uma história de cangaço distópico, reforçando a convocação que faz à valorização do nacional. Uma obra que atesta que a violência é uma ferramenta poderosa no Cinema quando o roteiro é também poderoso. E sim, Tarantino, que está certamente lendo o artigo: essa foi pra você.
Por Larissa Moreno


3º – Coringa, dirigido por Todd Phillips

O que é necessário para transformar uma boa pessoa em um monstro? Quão distantes estamos nós – ditos “normais” – de nos tornarmos loucos assassinos? Não muito, é o que nos mostra Coringa, filme que vem narrar a origem do vilão do Batman, mas que faz muito mais do que isso. Mostra de forma assustadora como a sociedade pode impiedosamente quebrar um ser humano, por maior que seja sua luta pela sanidade, por mais que tente encontrar alguma alegria nesse mundo miserável, por mais que se esforce para se manter bom. Esse Coringa, interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix, trouxe tanto temor porque, apesar de uma ou outra tentativa de o roteiro criar uma separação didática entre o “normal” e o “insano”, ele se coloca como espelho, como um alerta que diz “eu poderia ter sido você”. Assusta porque é verdade. Mais do que assustar, o filme nos machuca pois não permite que sintamos raiva de um vilão. Não há catarse ou redenção aqui. Sente-se tristeza, angústia por vermos uma pessoa tão absolutamente agredida em cada momento de sua vida a ponto de que nada lhe restea além de agredir de volta. Não há como terminar o filme sem se perguntar:  “E se fosse eu? Faria diferente?”.
Por Vlamir Marques

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