2º – História de um Casamento (Marriage Story), dirigido por Noah Baumbach

Poucos são os filmes que conseguem ser marcantes utilizando-se de temas ordinários, filtrando e peneirando o máximo possível da técnica cinematográfica e investindo para além de tudo nas sensações mais íntimas de seus personagens. Tratando do divórcio de um casal com um filho pequeno, Noah Baumbach desnuda os conflitos triviais que todo relacionamento, em algum tempo, conhece (mesmo aqueles que resistiram). O comum, o simples, o cotidiano aqui se faz mais impactante pela naturalidade como o filme é fotografado, dirigido e atuado. Ao longo da exibição, cada espectador vai se vendo nas expressões sutis de Adam Driver e de Scarlett Johansson. Ao longo da exibição, cada espectador vai se reconhecendo em um momento ou outro; seja em um julgamento pueril por uma cena familiar, seja no retorno emocional em outra sequência igualmente similar à sua experiência individual. E a relação que a obra propõe ao seu público é tão íntima que somos tragados pelo tufão de sentimentos que afogam, um a um, seus personagens principais. À imagem e semelhança de um Cinema-Verdade, o feito de Baumbach é memorável, é denso, é poderoso.
Por Rene Michel Vettori


1º – Parasita (Gisaengchung), dirigido por Joon-Ho Bong

E o topo da nossa lista dos melhores filmes de 2019 é ocupado por uma obra-prima. Parasita, do sul-coreano  Bong Joon-ho, é uma daquelas produções que aparecem de tempos em tempos para nos lembrar porque o Cinema é uma das maiores realizações da humanidade. Impecável em cada um de seus aspectos, a obra é simplesmente inclassificável, desafia qualquer possibilidade de fechá-la em um gênero. Tragicomédia? Drama? Reflexão social? Filme político? Banho de sangue? Suspense? Crime? Horror? Tudo isso e mais muita coisa. Parasita é, acima de tudo, um tapa na cara (divertidíssimo e cruel) de um mundo que, assentado em desigualdades, desumanizou o homem. A tragédia clássica e a comédia de erros de duas famílias coreanas, uma miserável e outra podre de rica, são alegorias de um tempo que levou qualquer limite ao mais inconcebível dos extremos. Parasita é obrigatório. E prova que, como bem disse o seu diretor ao receber seu Globo de Ouro (e seu Oscar está a caminho):  “uma vez superada a barreira das legendas (e, no caso de nós brazucas, a barreira de sons diferentes do inglês ou do português), vocês conhecerão muitos filmes incríveis”.
Por Marco Medeiros

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