6º – O Poço (El Hoyo), dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, disponível na Netflix.

Como deixar o nosso Top 10 sem um suspense espanhol cheio de elementos do terror seria uma baita heresia, o polêmico O Poço, do diretor Galder Gaztelu-Urrutia, conquistou seu lugar na nossa lista ao trazer para a Netflix uma consistente caricatura das estruturas sociais contemporâneas, escancarando uma faceta que nem todo espelho é capaz de refletir: o lado mais selvagem do ser humano. Conforme a falácia da solidariedade espontânea vai sendo desmitificada, cada variação da plataforma nos obriga a refletir sobre a autodestruição gerada por um sistema dominado pela produção e consumo exacerbado. Subir não é a resposta!
Por Caio Henriques


5º – Mank, dirigido por David Fincher, disponível na Netflix.

Mesmo se não estuda cinema ou é simplesmente fã, você provavelmente sabe da importância de “Cidadão Kane”. A controversa obra de estreia de Orson Welles sobre a vida de um magnata da publicidade foi lançada há exatos 80 anos e, em Mank, acompanhamos a jornada turbulenta de sua produção, sob o olhar de seu roteiristas, o lendário Herman J. Mankiewicz (Gary Oldman). David Fincher é o mesmo diretor que nos entregou clássicos modernos como “Clube da Luta” e veio presentear 2020 com esta verdadeira obra-prima que se desenrola tanto como um filme das décadas de 30 e 40 quanto um contemporâneo com marcas registradas dos trabalhos de Fincher. A junção desses elementos e o roteiro do falecido Jack Fincher (pai do diretor) não conquistaram parte do público, mas conquistou a equipe do Metafictions e por isso está nessa lista. Além desses elementos, temos mais uma atuação incrível de Gary Oldman, a melhor performance da carreira de Amanda Seyfried e uma trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross. Conflitos e tensão rodeiam a história destes bastidores e fazem de Mank um filme singular, digno de ser considerado um dos melhores de 2020.
Por Valentina Schmidt

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