4º – O Diabo de Cada Dia (The Devil All the Time), dirigido por Antonio Campos, disponível na Netflix.

Cá estamos no meio oeste americano, cenário perfeito para conhecermos o Diabo na sua forma mais vil. Essa é uma parte dos EUA pobre, cristã, nacionalista e cheia de gente de baixa instrução e perspectiva na vida. Dito isso, estamos em torno da década de 1950, uma época próspera no capitalismo americano, onde a indústria crescia vertiginosamente assim como a qualidade de vida da população. É aí que conhecemos algumas famílias que se conectam com o passar do tempo de uma forma a alternar os traços mais virtuosos e desprezíveis da humanidade. Esses personagens permutam entre a honra e a desonestidade, o carinho e a violência, o amor e o ódio com atos que nem sempre estão alinhados aos sentimentos expressados. O Diabo de Cada Dia é encardido e te arrasta para as profundezas quentes e fétidas da alma humana.
Por Ryan Fields


3º – Você Não Estava Aqui (Sorry We Missed You), dirigido por Ken Loach, disponível no Telecine Play.

Ken Loach não é o mais brilhante, tampouco o mais sofisticado ou requintado cineasta do mundo. Mas arrisco dizer que é o mais necessário. Seus filmes não vêm para refletir sobre alguma questão existencial, metafísica e abstrata. Eles existem enquanto ferramentas cruas, diretas e absolutamente acessíveis a qualquer um. São libelos sobre as relações sociais, sobre o homem comum, sobre a luta que é meramente existir na sociedade moderna. Em Você Não Estava Aqui, Loach aborda as novas tendências das relações de trabalho, um tema bem atual se olhado pelo prisma de um Brasil recém-saído de uma reforma trabalhista que aumenta a informalidade, sempre com a inacreditável e criminosa desculpa de que o trabalhador é quem sairá ganhando ao perder seus direitos e garantias. Loach mostra, de forma cabal e irrefutável, o quanto isso é uma falácia com a história de um motorista inglês interpretado com força por Kris Hitchen. Nada menos do que obrigatório. 
Por Gustavo David

Sugestões para você: