10º – Roma (Rome), 2 temporadas (2005-2007), criada por Bruno HellerWilliam J. MacDonald e John Milius

Não é exagero algum dizer que Winterfell não existiria sem Roma. Esta foi a primeira série a custar 10 milhões de dólares por episódio e, consequentemente, a ter uma produção suntuosa como a da hoje cultuada “Game of Thrones”. Foi apenas o seu sucesso que permitiu que a HBO (sempre a HBO) buscasse alçar voos ainda mais altos e despejar ainda mais dinheiro em obras de época, épicas e com qualidade de cinema. Batalhas enormes, violência extrema e peitos, muitos peitos. Contando com apenas duas temporadas (sendo a primeira uma das coisas mais maravilhosas já feitas pelo homem), Roma conta a violentíssima trajetória do oficial Lucius Vorenus (Kevin McKidd) e do soldado Titus Pullo (Ray Stevenson) nas legiões de Julio César (o excelente e subestimado Ciarán Hinds), bem como a luta de César para consolidar seu poder e a vida cotidiana dos poderosos e miseráveis na realidade romana. Mais uma vez a HBO quebra paradigmas, assim como já havia feito com “Sopranos” anos antes, e revoluciona o que quer dizer fazer TV, demonstrando que é possível ser inteligente, autoral e original também na telinha.
Por Gustavo David


9º – Família Soprano (The Sopranos), 6 temporadas (1999-2007), criada por David Chase

Sabe como hoje em dia as grandes inovações narrativas estão na TV e as séries se tornaram uma grande mania internacional? Saca como atualmente é até difícil acompanhar a quantidade enorme de séries de qualidade e com premissas interessantes que a cada ano são despejadas por ai? Já percebeu que até a Globo hoje faz séries boas, adultas e com um esmero muito maior de produção? Pois então. TUDO isso ocorre exclusivamente pela revolução e pelo tapa na cara que Sopranos deu em Hollywood e nas emissoras da época. A HBO deu total liberdade criativa aos criadores dessa série que conta a história de um mafioso meia boca de Nova Jérsei, Tony Soprano, e sua família, com a premissa (então original e posteriormente exaustivamente copiada) de que o bandido durão precisaria de terapia por causa de ataques de pânico. Arvorada na interpretação para a qual eu sequer consigo achar adjetivos (soberba, magistral e foda são alguns que vêm à mente) da força da natureza que era James Gandolfini (morto em 2013), excelentemente bem apoiado por Edie Falco (que ganhou o Globo de Ouro várias vezes por este papel) como sua esposa Carmela e pelos demais caras de sua gangue, Sopranos abriu as portas para que a TV passasse a criar conteúdo realmente adulto, autoral e que tratasse seus espectadores como seres pensantes. Quase 20 anos após sua estreia, pouquíssimas foram a séries que chegaram aos seus pés em termos de narrativa, atuações, consistência por todas as temporadas e qualidade. Eu diria que nenhuma.
Por Gustavo David

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