6º – Black Mirror, 3 temporadas (2011- ), criada por Charlie Brooker

A sociedade jamais, na História, teve tanta facilidade de acesso à informação. Contraditoriamente – a priori – este mesmo momento talvez seja aquele em que as pessoas mais se tornam alheias à tudo em volta. As relações interpessoais começam a falhar, a profundidade individual flerta com o nível do mar, a atenção total ao que é fútil passa a se tornar prioridade absoluta. Pessoas plásticas vivem vidas de plástico que boiam inertes em um oceano virtual mais real do que a água e o barro. Mergulhando, como em um salto, nessa enchente epidêmica, a série britânica Black Mirror nos apresenta as consequências desse nado de cada um, que nunca pode ser considerado despretensioso ou banal. Cada braçada, cada pernada e a tentativa de renovar o fôlego – ainda que inútil – dos indivíduos que são tragados pelo aterrador tsunami de “zeros e uns” (0-1) é o tema desse conjunto de episódios cujo personagem principal é este universo desalmado. Tendo como fio condutor tão somente algo referente a tecnologia (em especial, àquela visual), a obra aborda de maneira dura e fria o que este admirável mundo novo provoca não só em cada um, mas também em todos os componentes desta teia social. Aos que ainda não foram consumidos por completo e ainda não sonham com ovelhas eletrônicas, resta uma invocação sussurrada e sem mais esperanças… “traga esse selvagem de volta para casa”.
Por Rene Michel Vettori


5º – House of Cards, 5 temporadas (2013- ) , criada por Beau Willimon

House of Cards poderia ser uma série fracassada por trazer como entretenimento principal a temática política. Diferente de outras séries e filmes, em que a política serve de pano de fundo e disseca-se muito mais o pessoal dos personagens, House of Cards escancara e se destaca justamente por conduzir o assunto sem ser sacal. Confesso que quando comecei a assisti-la demorei um pouco para entrar no seu ritmo deveras denso. No entanto, uma vez engajada, tornei-me grande fã do programa. Ansiava para saber o que rolaria na Casa Branca onde nosso anti-herói, se é que assim posso chamá-lo, Frank Underwood (Kevin Spacey), planejava altas passadas de perna nos político tudo. Ele conta com sua magnífica esposa, Claire Underwood (Robin Wright) e seu braço direito, Dooooooug (Michael Kelly). Dentre as táticas para tornar fluido o enredo está a quebra da 4ª parede quando Frank troca ideia com o telespectador e reproduz monólogos cheios de analogias interessantes e bom papo. House of Cards consolida-se como um fidedigno retrato político em que a frase “seria cômico se não fosse trágico” cai bem.
Por Larissa Moreno

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