Tudo começou diferente do que costuma ser. No MetaFictions, nós decidimos democraticamente, na medida do possível, o que vamos resenhar na semana vindoura. Há, é certo, alguns espaços já demarcados. Ninguém – absolutamente NINGUÉM – além de mim pode fazer um filme assinado por Chan-wook Park. O mesmo vale para filmes de porrada e o Gustavo. Assim como aliens para Ryan Fields. Feminismo para Larissa (a.k.a. Laryssa) e por aí vai. Eis que nosso editor e meu personal troller Gustavo David (a.k.a. TavinhoGadGustavo Deivid) deliberadamente e tiranicamente decidiu arbitrariamente que eu faria Um Tio Quase Perfeito.

Tal qual Uma Babá Quase Perfeita (e a semelhança já se apresenta no título), este filme brasileiro dirigido por Pedro Antonio, nas primeiras cenas, já nos coloca o que podemos esperar das sequências e é o que – efetivamente – de fato acontecerá. Temos o Tio Tonny (espirituosamente interpretado por Marcus Majella, até parecidinho com meu supracitado personal troller), um underdog esculachado pela irmã Angela (Letícia Isnard) que vive uma vida – “quase” – perfeita com seus três filhos: Patrícia, a madura (Júlia Svacinna), João, o desligado (João Barreto) e Valentina, a fofinha (Sofia Barros); o pai, um político separado da mulher, é completamente ausente. Após tio Tonny ser despejado com sua mãe Cecília (Ana Lúcia Torre), eles pedem abrigo para a irmã, que reluta muito até aceitar; especialmente, porque passará 15 dias fora, em viagem a trabalho.

O fanfarrão bem carioca: faz-tudo.

Pronto, o conflito está desenvolvido. O tiozão irresponsável e loser irá preencher a lacuna daquelas crianças típicas de uma família moderna: a mãe que sai para trabalhar o dia inteiro, o pai separado e desaparecido, e uma necessidade de calor humano para costurar os fragmentos de uma família que tenta ser, apesar de não conseguir. É óbvio que o resultado será a redenção do subestimado eterno-garoto-grande e a consequente aproximação familiar, refazendo aquele grupo. Nem me venha com acusações de spoiler. É evidente que isso aconteceria. Ou alguém aqui esperava que o malandro iria despirocar e esfaquear todo mundo?

Olha como se completam.

Com alguns momentos engraçados e naquela estrutura novelão diminuído para 90 minutos, ou zorra total mais legalzinho aumentado para 1h30 (desculpe-me, mas não consigo ver Cinema nesse tipo de obra), Um Tio Quase Perfeito é mesmo o estilo daquele filme americano citado no início, porém com o suingue carioca, o gingado malandro, o rebolado quebra-miudinho da gema, a “malemolência” criativa típica desse estado zoado e “zoeiro”. Cumpre sua proposta tranquilamente.

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